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terça-feira, 14 de junho de 2011

Aumenta apoio à pena de morte entre os brasileiros, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha publicada na edição deste domingo Folha de S.Paulo revela que aumentou o apoio da população à adoção da pena de morte no Brasil. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados são favoráveis à pena de morte e 40% são contra.

Na pesquisa anterior, feita em agosto do ano passado, 51% dos entrevistados disseram sim à adoção da pena de morte e 42%, não.

O levantamento atual mostra que o apoio à pena de morte voltou ao maior índice histórico favorável à prática, registrado em 1993, desde que o Datafolha começou a fazer pesquisas sobre o tema, em 1991.

O levantamento ouviu 5.700 pessoas em 25 estados entre os dias 19 e 20 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Leia a matéria completa sobre o resultado da pesquisa Datafolha na edição deste domingo da Folha (só para assinantes do jornal e do UOL).

Brasileiros apóiam mais pena de morte, diz pesquisa

Pesquisa Datafolha revela aumento no número de brasileiros que apóiam a pena.
Levantamento mostra ainda a rejeição por mudanças na Lei do aborto.
Do G1, em São Paulo
 
Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (8) pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que aumentou o número de pessoas que apóiam a pena de morte no Brasil. O levantamento, realizado nos dias 19 e 20 de março, revela ainda que a maioria da população é contra mudanças na legislação sobre o aborto, que permite a interrupção da gravidez apenas em casos de estupro e risco de morte da mãe ou do bebê.

Segundo os dados divulgados pelo jornal, 55% das 5.700 pessoas ouvidas em 25 estados disseram ser favoráveis à pena de morte e 40% contra. Na pesquisa anterior, realizada em agosto de 2006, 51% eram favoráveis à pena de morte e 42% contrários.

O índice de apoio à punição se iguala ao divulgado em fevereiro de 1993, quando havia sido registrado, até então, o maior percentual em 14 anos de pesquisa.

O aumento no número de apoiadores da pena mais severa coincide com a divulgação pela mídia de casos que comoveram a opinião pública, como a morte do menino João Hélio, que foi arrastado, preso ao cinto de segurança do carro, por assaltantes em um trajeto de 7 quilômetros nas ruas do Rio de Janeiro.

Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, não acredita que o aumento da preocupação dos brasileiros com a violência esteja interligado com os resultados da pesquisa.

"Esse apoio à pena de morte já é histórico. Neste momento cresceu um pouco, mas não apenas porque cresceu a percepção de violência. Entre os que apontam a violência como principal problema, a taxa de apoio à pena de morte é exatamente a mesma da média", disse Paulino.

Segundo o jornal, desde 91, quando o Datafolha iniciou a pesquisa sobre a opinião dos brasileiros sobre a pena de morte, o índice favorável à punição nunca foi inferior a 48%.

No entanto, para Viviane de Oliveira Cubas, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo, que foi entrevistada pelo jornal, a atenção dada pela mídia ao tema violência e sensação de insegurança vivida pelas pessoas refletiu na pesquisa.

"Normalmente quando você faz pesquisas em um momento de crise, os resultados despontam", teria dito a pesquisadora.

No Rio de Janeiro, onde ocorreu o caso João Hélio, o índice de apoio à pena de morte saltou de 38%, em maio de 2006, para os 51% atuais. O percentual é igual ao de Minas Gerais, mas menor que em São Paulo, que registrou 57% de apoio à punição.

  Lei do aborto
 
A pesquisa Datafolha revela também que cresce constantemente desde 1993 o percentual de brasileiros que rejeitam qualquer tipo de mudança na legislação sobre o aborto. Os dados divulgados mostram que apenas 16% da população apóiam mudanças na lei, que permite o aborto apenas em casos de estupro ou risco de morte da mãe ou do bebê. Para 65% dos entrevistados, a legislação deve continuar como está, maior índice desde que a pesquisa foi criada, em 1993.

  Adoção por casais homossexuais
 
O levantamento feito pelo Datafolha revela também que mesmo com a Justiça liberando a adoção de crianças por casais homossexuais, a sociedade ainda desaprova a medida. Segundo os dados divulgados neste domingo, 52% dos entrevistados são contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo e 49% é contrária à legalização da união civil entre homossexuais. Entre os homens, 54% rejeitam a união e apenas 37% apóiam. Entre as mulheres, o percentual de apoio é de 46%, sendo 45% das entrevistadas contrárias à legalização.

A pesquisa revela ainda que 57% dos entrevistados rejeitam a prática da eutanásia. O ato que abrevia a vida de um doente incurável é aprovado por 36% dos brasileiros ouvidos pelo Datafolha.

Conselho de Ética tem legitimidade para julgar Jaqueline Roriz, diz relator

Parlamentar foi gravada recebendo dinheiro de delator do mensalão do DEM.
Para deputada, fatos ocorridos antes da posse não poderiam ser analisados.

Do G1 DF

Deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP) lê relatório sobre caso Jaqueline Roriz no Conselho de Ética (Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara)
Deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP) lê relatório sobre caso Jaqueline Roriz no Conselho de Ética
(Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara)
 
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou nesta quarta-feira (8), durante leitura do relatório sobre processo de quebra de decoro contra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), que o Conselho de Ética da Câmara tem legitimidade para julgar as denúncias contra ela.

Jaqueline Roriz é apontada de ligação com o escândalo do mensalão do DEM, suposto esquema de corrupção que teria envolvido integrantes do governo do Distrito Federal, deputados da Câmara Legislativa do DF, membros do Judiciário e empresários.

Um vídeo em que a deputada aparece, ao lado do marido, recebendo dinheiro do delator do esquema, Durval Barbosa, motivou a acusação contra ela no Conselho de Ética. O dinheiro teria sido usado na campanha da deputada à Câmara do DF, em 2006.
Ela também é acusada de ter usado dinheiro do gabinete para pagar o aluguel de um imóvel de propridade do marido. Na defesa apresentada no início de abril, os advogados da deputada alegaram que ela poderia usar o dinheiro para alugar um escritório político, mas que a parlamentar apenas pagava o condomínio da sala. Segundo os advogados, o marido de Jaqueline teria cedido o imóvel sem cobrar aluguel.
A defesa de Jaqueline Roriz alegava que o conselho não tinha poder para julgar casos ocorridos antes da posse dela do mandato. O relator argumentou que as denúncias contra ela não eram conhecidas antes de ela tomar posse e que, por esse motivo, poderiam ser analisadas pelo conselho.

“Fatos políticos desconhecidos do Parlamento são, na verdade, fatos contemporâneos, pois suas repercussões são atuais”, afirmou.